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Núcleo Médico do Sono
Doenças do Sono

Narcolepsia e Hipersonias

Sonolência que não passa com mais horas de sono, adormecer em conversas ou ao volante, episódios súbitos de fraqueza muscular com uma emoção forte. A narcolepsia é rara, é frequentemente confundida com preguiça ou depressão — e demora, em média, anos a ser diagnosticada.

O que são a narcolepsia e as hipersonias

Hipersonia é o termo que agrupa as situações de sonolência diurna excessiva que não se explicam por falta de horas de sono. A narcolepsia é a mais conhecida: uma perturbação neurológica crónica em que o cérebro não regula bem a fronteira entre a vigília e o sono.

Na narcolepsia tipo 1 há perda dos neurónios que produzem hipocretina (orexina), uma substância que mantém a vigília estável. É essa perda que explica os sintomas característicos, incluindo a cataplexia.

Existem outras causas de sonolência excessiva — hipersonia idiopática, síndrome de sono insuficiente, apneia do sono, perturbações do ritmo circadiano, efeitos de medicação. Distingui-las é o primeiro objetivo da avaliação, porque o tratamento é completamente diferente.

Sintomas característicos

  • Sonolência diurna excessiva, todos os dias, que não melhora com mais horas na cama
  • Ataques de sono irresistíveis, por vezes em situações inapropriadas
  • Cataplexia: perda súbita e breve de tónus muscular desencadeada por emoção forte — riso, surpresa, zanga — mantendo a consciência
  • Paralisia do sono: incapacidade temporária de mexer o corpo ao adormecer ou ao acordar
  • Alucinações vívidas na transição entre a vigília e o sono
  • Sono noturno fragmentado, com vários despertares
  • Comportamentos automáticos: continuar uma tarefa sem memória depois

O impacto no dia a dia

A sonolência crónica afeta o desempenho escolar e profissional, as relações e a segurança. O risco de acidente de viação e de trabalho é significativamente mais elevado, e a condução exige avaliação clínica específica.

Há ainda o peso de não ser levado a sério. Muitas pessoas com narcolepsia passam anos a ouvir que dormem pouco, que se deitam tarde ou que estão deprimidas, antes de chegarem a um diagnóstico.

Como se diagnostica

A avaliação começa com uma história clínica detalhada e escalas de sonolência, como a Escala de Sonolência de Epworth, complementadas por um diário do sono e, quando útil, actigrafia durante uma a duas semanas.

O passo seguinte é excluir causas mais frequentes de sonolência — em primeiro lugar, apneia do sono e sono insuficiente. Um estudo do sono é normalmente necessário.

A confirmação da narcolepsia exige exames específicos, nomeadamente o teste de latências múltiplas do sono (TLMS), realizado em laboratório no dia seguinte a uma polissonografia. Estes exames são articulados com centros parceiros sempre que indicados.

Opções de tratamento

Sestas programadas

Sestas curtas e planeadas ao longo do dia reduzem de forma consistente a sonolência e os ataques de sono. É uma das medidas mais eficazes e continua a ser útil mesmo quando há medicação.

Rotina e higiene do sono

Horários fixos, sono noturno suficiente, exercício regular e gestão da cafeína criam a base sobre a qual qualquer outro tratamento funciona melhor.

Medicação para a sonolência

Existem fármacos promotores da vigília eficazes, escolhidos de acordo com o perfil de cada pessoa, a intensidade dos sintomas e outras condições de saúde.

Tratamento da cataplexia

A cataplexia responde a tratamento específico, distinto do usado para a sonolência. Controlar estes episódios tem um impacto enorme na autonomia e na segurança.

Acompanhamento e adaptação

A narcolepsia é crónica, mas bem gerida permite uma vida plena. Ajudamos também na articulação com a escola ou o empregador e na avaliação da aptidão para conduzir.

Quando procurar ajuda

Procure avaliação se sente sonolência quase todos os dias apesar de dormir o suficiente, se já adormeceu em situações em que não devia, ou se teve episódios de fraqueza muscular súbita associados a emoções.

Se já adormeceu a conduzir, a avaliação é urgente.

Perguntas frequentes

Não — pelo contrário, é raramente. As causas mais frequentes de sonolência diurna são o sono insuficiente e a apneia do sono. Por isso a avaliação começa sempre por excluir essas hipóteses.

Não tem cura, mas tem tratamento eficaz. Com a combinação certa de medidas comportamentais e medicação, a maioria das pessoas controla bem os sintomas e mantém uma vida profissional e pessoal normal.

Depende do controlo dos sintomas e exige avaliação clínica individual. Com tratamento eficaz e sonolência controlada, muitas pessoas mantêm a aptidão para conduzir. É um tema a discutir em consulta, nunca a decidir sozinho.

Informação educativa revista pela equipa clínica. Não substitui uma consulta médica individual.

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